segunda-feira, 2 de maio de 2016
Ednardo- Passeio Público
Conhecia essa música do Ednardo de muito tempo. Acreditava que era uma música de um desespero difuso. Semana passada passei lá no forte com primos da Ana e me contaram que uma mulher tinha sido presa e torturada lá por causa da revolução pernambucana do século XIX. Não lembravam o nome dela, aí me lembrei dessa música que falava do forte e do passeio público por onde passávamos. Eu a cantei e como num estalo meus anfitriões falaram: "isso mesmo, Bárbara de Alencar". Era ela que soltava os "ganidos de morte" da música. Foi só assim que descobri a quem a música se referia e ainda mais. A música foi lançada em 76, quando a ditadura estava prendendo e torturando muita gente. Ednardo falava de sua atualidade lembrando da história de Fortaleza, como se Bárbara Alencar estivesse presa ainda, gritando.
quinta-feira, 28 de abril de 2016
"A Dor" - Capítulo do livro "A Ditadura Escancarada" de Elio Gaspari
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
Resenha do texto de Luce Irigaray: "Este sexo que não é um"
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Psicanalise e Terapia Cognitivo Comportamental
terça-feira, 6 de outubro de 2015
uns dois
quarta-feira, 4 de março de 2015
rigidez psicológica, um conceito mais ou menos atual
Eu mesmo tenho algumas questões com a psicologia, porque o logos do psi é uma noção um tanto quanto complicada pelo mesmo motivo que foi exposto acima: conhecimento é mais efeito do que causa, especialmente no que tange ao psi. No entanto, os problemas que a psicologia pode vir a por são muito interessantes, desde que junto exista uma reflexão que a ultrapasse, como a sociologia por exemplo, e foi isso que realizou o Merleau-Ponty em suas aulas na Sorbonne, que são quase como um curso de psicologia crítica. Tá sendo ótimo lê-lo, quase como voltar às salas de aula onde fiz meu curso, mas com um professor de filosofia falando de psicologia.
Nesta problematização da psicologia ele fala dessa inter-relação (desenvolvimento emocional e desenvolvimento intelectivo) a partir de um exemplo, o da rigidez psicologica tal qual descrita pela Frenkel-Brunswik(1949). Esse estudo trabalhava a partir dos métodos projetivos, que pressupõem que a personalidade exprime-se no modo de estruturar os dados sensíveis, ou em bom português, a gente percebe as coisas de acordo com o que somos. A rigidez pesicologia é a atitude dos sujeitos que "a respeito de todas as questões dão respostas simples, sumárias, diretas e sem matizes e que estão pouco dispostos a reconhecer fatos discordantes". Bem, isso parece com muitas atitudes pela internet. São sujeitos em geral tradicionalistas que teriam uma personalidade muito dividida, que quando vão falar dos pais se atém apenas aos seus traços exteriores, com medo de neles descobrir imperfeições em profundidade.
Aqui quase cito o texto do Merleau Ponty: "Agressividade reprimida contra os pais. Esses sujeitos evitam toda ambiguidade e procedem por dicotomia (dilemas limpeza/sujeira, obediência/autoridade, virtude/vício, masculinidade/feminilidade). (...) As familias dessas crianças são, em geral, autoritárias e frustantes. A criança faz uma dupla imagem de seus pais: uma, abençoada, que aparece em primeiro plano; outra agressiva, que se oculta profundamente." A ligação desta questão afetiva com a percepção se daria em visões das coisas sumárias nesse sentido:
"As pessoas se dividem entre os fortes o e os fracos"
"Os professores deveriam dizer aos alunos o que tem que fazer em vez de perguntar o que desejam."
"Só existe uma maneira de fazer bem alguma coisa."
Todos os exemplos são do próprio Merleau-Ponty. Ele diz que isso não é ligado apenas a certas opiniões, porque o sujeito pode ser liberal, mas de um modo absoluto e abstrato: "todos os homens são idênticos, sobre todos os pontos de vista." O que faz a diferença não é você adotar tal ou tal tese (seja abolicionismo penal ou ser a favor da criminalização do aborto) mas a maneira como se adota, como se justifica, e como se ater a ela.
O que é interessante é que o argumento fica problemático se pensarmos em personalidade, até porque uma categorização como essa pode atrapalhar em ver as muitas nuances presentes, bem como dicotomiza, o que pode deixar o estudo como objeto dele mesmo, hehe. é um estudo um tanto rígido, mas pelo fato mesmo que ele não é "tudo de ruim" coloca a gente para perceber que muitos dos conflitos de percepção de mundo tem por fundo também certa questão com a afetividade própria a cada um.
A Melanie Klein, psicanalista que ela era coloca o problema lado a lado com outros conceitos: Ambivalência, que diz respeito fazer, quanto a um mesmo ser, duas imagens alternativas, uma boa e outra má, que não são vistas como fazendo parte de um mesmo objeto. Ou seja, bom e mau separados, não podendo estar no mesmo sujeito. Ambiguidade, que é algo da vida mais nuançada dos adultos, diz respeito a perceber duas imagens, mas que fazem parte do mesmo objeto.
Trazendo isso de outra forma: para perceber os objetos divididos, incompletos, não-todos, é necessário ver que os referentes são não tem uma característica apenas. Bom e mal não fazem parte do referente, são apenas nosso julgamento.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
A psicanálise no gerúndio.
Depois de escrever o texto sobre o texto do Dunker, eu fiquei pensando... Lacan dizia que o lugar de onde ele falava seu seminário era de analisando. Existe toda uma discussão sobre o lugar do analista e quanto mais eu me detenho nisso, percebo que o lugar do analista tem a ver com a sustentação ou de um silencio ou algo como um tuíte, meio curto e grosso, só para o analisando sair do lugar e continuar seu caminho de associação.
Quando a psicanalise começou quem falava era a histeria. O próprio Freud tirava suas ideias de sua auto-análise. o analista de Freud, ele não existia, mas a necessidade de haver um, quando se fala em análise, fez algumas pessoas conjecturarem que podia ser o Fliess, ouvinte crítico e amigo. Um sujeito mei loco, que tinha umas idéias de uma ligação entre sexualidade e nariz, e dizia que as pessoas tinham uma bissexualidade inerente. Esta última ideia, Freud retomou doidamente e radicalmente. O lugar da escrita da teoria psicanalítica é do analisando. o que o psicanalista faz não é exatamente teoria, apesar de ter um papel fundamental em seu desenvolvimento.
Em francês existe uma maneira de falar as coisas que não é exatamente igual no português, mas tem lá suas reverberações, tanto que eu acho que consigo explicar aqui. Analista não é contável, como você conta maçãs: uma maçã, duas maçãs... Analista, por ser um lugar, é incontável, é que nem água. Você não conta uma água, duas águas... ( a não ser que você esteja falando metonimicamente de copos de água) Você só diz: água. Em francês: Boire de l'eau. Em português seria algo como; vou beber da água. Daí, analista não seria um analista, mas sim uma parte numerável em si, mas apenas numerável como parte. Parece complicado, mas isso tem a ver com problemas de tradução e coisas que ocorrem ao pensar esse lugar curioso que é o do analista.
Ainda bem que em português temos como dizer isso de forma que francês nenhum pode dizer (sem esforço), porque temos o verbo estar. Você não é analista, você está analista. Até por colocar em jogo um certo des-ser, o verbo estar pode ser interessante para descrever. Engraçado, como se trata de um des-ser, a gente poderia dizer, em português, que para estar analista é importante descer do tablado.
Quanto a questão do analisando, cabe dizer que se fazer fazer teoria, burilar nas formações do inconsciente, incomodar-se com isso ao ponto de eliciar pensamento, é estar no lugar de analisando, mesmo que você tenha "atravessado a fantasia"(como dizem). Como tal, cada uma das formulações nesse lugar são no máximo provisórias e com necessidade de constante revisão. Vamos se falando.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Comentário do texto do Christian Dunker “Bolsonaro, deita aqui no meu divã”
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
A felicidade de nossos atos
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
sexta-feira, 12 de abril de 2013
universal do reino de de de de
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Decante Kant
Sonhos e Saberes
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
pepper spraying cop
qual a melhor vingança contra um cara que faz isso? virar um memê
http://peppersprayingcop.tumblr.com/
domingo, 6 de novembro de 2011
malaê poesia
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
geraldo vandré, aboio e funcionalismo público
O disco “das terras de benvirá”, do Geraldo Vandré, vem nesse caminho dos cantos de trabalho, de alienação, tristeza. É um disco lindo, feito depois de sua volta após mais de quatro anos exilado. Desde então, assumiu um posto de funcionário público, afastou-se da música e foi trabalhar. Seu último disco foi este, quase todo cantado na forma do aboio, triste e em tons menores. O que aconteceu com Vandré depois é mal sabido, só se sabe que ele mesmo, em entrevistas, disse que não havia significado algum em continuar.
Claro que houve todas as questões, que ele teria sido torturado, castrado (?,!) e finalmente enlouquecido, escrevendo músicas para as forças armadas. De qualquer maneira, ele disse que se escreveu uma música como “Fabiana”, em homenagem à força aérea brasileira, porque ele ama e amou a aviação. Mas tudo parecia meio bizarro, devido a época vivida, seu engajamento anterior como combatente cultural da ditadura, como assim? Contradição. Vandré era um dos artistas mais engajados de sua época.
É bem por causa disso que ele foi primeiramente salvo da cadeia por Caetano Veloso, que tinha avisado que os policiais estavam a caminho de sua casa. Depois, finalmente preso e exilado. Voltou para o Brasil dizendo que nunca foi anti-militarista, o que deixou ele numa situação ruim com a esquerda da época. Mas ser anti-militarista e de esquerda não necessariamente coincide.
Fez então o disco de que falo aqui, todo cheio de pedidos à Deus, falando de pessoas perdidas, lembrando do “anel que tu me destes, eu guardei para me salvar”. Lamentos e um passado que dói de saudades. Um violão e uma gaita ou guitarra de acompanhamento, acordes simples e uma voz solta no vagar do aboio. Ia assumir, logo depois, uma carreira de funcionário público, próximo ao exército. Disse que nunca voltou do exílio e que não vive no Brasil. Aliás, diz que a maioria das pessoas que vivem neste país não mora mais no Brasil.
O ano era 1973, estamos em 2011. Deu uma entrevista esses dias para a Globo, que me impressionou pela ironia que trazia no rosto. Acham que está louco. Parece-me desiludido. largou a carreira artística, já se despedia neste disco e virou funcionário público, talvez para curtir em paz sua saudade.
domingo, 22 de agosto de 2010
Fim de semana
Quem disse que é para a vida inteira?
Apressa o passo que o prazo engana
apressa o passo que na praia
o tempo passa antes de passar
o tempo da história não é calendário
arranco as paginas do dia errado
dura dois anos dezoito brumario
dura dois anos entre aniversários
seu tempo passa antes de passar
e vem você me diz a calcular
para onde vai
uma tarde que passou?
E me vem
o pulso de uma canção
escapar
da mente pro coração
sei lá
qual dança que decifrará.
essa aí é uma canção. quem quiser escutá-la fala comigo
Medo no Papel
pra quem sente
medo na televisão
não é filme
de terror
do doutor mabuse
olhando da tevê
é a impressão
vívida do olhar da tevê
ganhando não mais que a cor da caneta
que escreve para não ler
o medo no papel
o medo no papel
não é o medo do golpe
é o medo do esquecimento
para transformar aquilo que acontecendo
vai ficando e fica
ali para tomar poeira
para ser guardado na gaveta
o medo no papel
não é o medo do relógio
é o medo do calendário
o momento vira memória
e na hora lá diz que houve
outras horas
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Acho que reencontrei um amigo de infância. Acho. O que vi foi um nome e um rosto familiar, dizendo: “A memória é uma construção social. Você vai lembrar. Eu não existo.” Gaiato. Eu não existo. Já nasci com geladeira, Tv e videogame em casa, de tal modo que tudo o que eu conheço é virtual, até os nomes e rostos que já passaram em minha vida. O colégio onde eu estudei era só uma mimetização de escola católica, que proibia tamagochis. Esse amigo, por exemplo, ele nunca existiu, faz parte de um conjunto de zeros e uns na minha cabeça, um retrato pixelizado que estende a mão e pergunta: “tudo bem?”. Ainda bem que eu filmei aquela época, posso encontrar estes rostos por lá.
Falávamos de astrologia. O signo, segundo ele, é só uma coordenada. É tão impreciso falar sou de “sagitário” quanto dizer latitude 35. Poxa, nem em astrologia existe personalidade então?


