Isso é que dá ler Dostoiévski: traíragem.
Mudando de assunto. Se o cinema morreu e só podemos esperar o melhor dos videogames, como não perder a alma? Joguei um videogame chamado OBLIVION e era para lá que eu me encaminhava. Podem ser 30, 40, 200 horas tomadas por um só jogo. Ser um erudito na área é mais difícil do que ser um de literatura e olha que só temos 10, 20 anos desde de que isto começou. Imagina quando neguinho resolver se meter a falar da incomunicabilidade... Já era. desisto.
O problema é que é uma arte muito mais fina. Não há nada de acabado, não há produto final. são só possibilidades e potências. Cinema e futebol. É uma arte de ninguém. De quem é o jogo, de quem programa? de quem joga? de quem teve a idéia?
O melhor seria começar do início: pong e tetris; Griffith e Eisenstein. Vale ganhar ou jogar? Prefiro Tetris, que não vai dar em OBLIVION nenhum, vai dar em Simcity.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Bezerrão
Encontrei o Arruda na rua. No carro ao lado, num engarrafamento destes que te obriga a ter uma relação mínima com o próximo. Ele manteve o sorriso fixo por um tempo, deu tchau, me fechou e foi pegar uma mina no posto de gasolina. Só registrando.
Vi o Elano. Que golaço.
Vi o Elano. Que golaço.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
stylistica
É. Tem gente que tem jeito mesmo para escrever. Acabei de ler o livro "A estrutura lacaniana das psicoses", grande promessa nesse título.
No entanto, o assunto só é abordado frontalmente em umas quarenta linhas esparsas lá pelo meião e em algumas notas do tradudor, mostrando um jogo de palavras em francês onde a palavra psicose é sugestionada. O livro parece que só é histeria, exílio, judaísmo, verdade, letra e Outro -- existem ótimas observações sobre todos estes temas. Nem me deixou tão incomodado. Mas, seilá, achei que queria meu dinheiro de volta.
Talvez eu não tenha o refinamento para perceber que a melhor maneira de abordar uma questão é a evitando, mudando de assunto quando ela está prestes a se anunciar. Acho que Melman (o autor do tal livro) devia estar muito focado em cumprir este programa. Deve ser um trabalho de cão. Isso é estilo demais.
Aliás, no livro, existia um ótimo capítulo sobre a o sentido das palavras antitéticas em psicánalise (i. e. ironia). Dizia como a escrita é sintoma e que é ela mesma que produz o autor. "O escrito tentará fazer-se a partir de uma necessidade de consistência, independente do sujeito, impondo-se a ele". O autor se cria aniquilando o sujeito, como pude constatar agora, escrevendo neste blog depois de meses.
Olha, este não é um post raivoso. Gostaria de agradecer Melman por me dar vontade de escrever de novo neste blog. Ainda demonstrando meu desarmamento, digo que são bem mais que quarenta linhas as dedicadas a psicose. Ele mesmo explica que seu seminário é da natureza do dizer, e não do dito. Acho que aprendi uma coisa que Lacan não deixa tão claro. (Na verdade deixa, mas ninguém perde a chance de falar da dificuldade de ler Lacan, sacumé..)
No entanto, o assunto só é abordado frontalmente em umas quarenta linhas esparsas lá pelo meião e em algumas notas do tradudor, mostrando um jogo de palavras em francês onde a palavra psicose é sugestionada. O livro parece que só é histeria, exílio, judaísmo, verdade, letra e Outro -- existem ótimas observações sobre todos estes temas. Nem me deixou tão incomodado. Mas, seilá, achei que queria meu dinheiro de volta.
Talvez eu não tenha o refinamento para perceber que a melhor maneira de abordar uma questão é a evitando, mudando de assunto quando ela está prestes a se anunciar. Acho que Melman (o autor do tal livro) devia estar muito focado em cumprir este programa. Deve ser um trabalho de cão. Isso é estilo demais.
Aliás, no livro, existia um ótimo capítulo sobre a o sentido das palavras antitéticas em psicánalise (i. e. ironia). Dizia como a escrita é sintoma e que é ela mesma que produz o autor. "O escrito tentará fazer-se a partir de uma necessidade de consistência, independente do sujeito, impondo-se a ele". O autor se cria aniquilando o sujeito, como pude constatar agora, escrevendo neste blog depois de meses.
Olha, este não é um post raivoso. Gostaria de agradecer Melman por me dar vontade de escrever de novo neste blog. Ainda demonstrando meu desarmamento, digo que são bem mais que quarenta linhas as dedicadas a psicose. Ele mesmo explica que seu seminário é da natureza do dizer, e não do dito. Acho que aprendi uma coisa que Lacan não deixa tão claro. (Na verdade deixa, mas ninguém perde a chance de falar da dificuldade de ler Lacan, sacumé..)
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Queria ver também eu com mais saco para postar aqui.
O mundo tá cheio de coisa massa, mas parece que só consigo postar em surtos, uma vez por mês. Como não escrevo com tanta freqüência, vou fazer uma emulação de power-point com o que chamou minha atenção neste último mês.
Enfim, essas são algumas das coisas que pensei em postar esses dias mas não tinha saco. Se alguém quiser, apresento com um retroprojetor.
- Boto fé que a crítica de filmes no correio brasiliense é feita pela mesma galera que escreve o horóscopo.
- pode conferir.
- Natação não é arte, é a beleza da técnica. Por causa disso é melhor e mais barato que psicoterapia.
- Na madrugada, quando você já tá alterado, a ponte se enche de aranhas e o insônia shop enche de pederastas.
- o insônia provavelmente é ponto de swing.
- provavelmente, também, a galera do swing edita um tablóide.
- eu não queria saber disso.
- Ia ser bom mostrar pra neguinho o Luis Tatit.
- Bressane também, mas duvido que alguém goste. é um cara que consegue transformar os vícios do cinema brasileiro em virtudes.
- eu poderia escrever horóscopo.
- Falar de esquerda e direita é errado, mas de ideologia, ainda não.
- Gangstas, japoneses, Timbaland, Timberlake, Portishead, Madonna, Nico: Vocês já foram à Bahia?
Enfim, essas são algumas das coisas que pensei em postar esses dias mas não tinha saco. Se alguém quiser, apresento com um retroprojetor.
Cientista vê limite em linguagem animal
esse cientista é Marc Hauser, Professor de Psicologia em Havard.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u373738.shtml
Pena, queria ver um papagaio simbólico.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u373738.shtml
Pena, queria ver um papagaio simbólico.
sábado, 12 de janeiro de 2008
Fala
Eu juro que tentei respeitar o Arnaldo Jabor como cineasta. Vi aquele filme mó elogiado, "Toda nudez será castigada". Mas não consegui passar da introdução que ele havia preparado para o dvd. Tava lá ele, com a mesma cara, falando do nelson rodrigues como se fala do mensalão. Uma ênfase pretensamente apaixonada, o sorrizinho boquiaberto marcando um "x" no sacarsmo. Rotula o filme dele de "pastiche de melodrama, entre a ironia e a tragédia". E aquele ritmo de fala nojeinto, como um aluno que lê um texto em voz alta e quer que a professora perceba que consegue dar, a cada frase, a entonação correta e adequada. Enfim, porra, vocês sabem do que estou falando. Não dá pra respeitar alguém assim. Talvez o Darcy Ribeiro, mas aí é outro nível.
De qualquer forma, esses trejeitos de fala, dizem muito não só sobre a respeitabilidade do sujeito, mas também a sua compreensibilidade e captação de níveis.
Lacan, por exemplo. Vi ele esses dias, no Youtube, falando de coisas que eu tinha lido no seminário, mas não tinha entendido. A partir do momento, que eu vi ele falando, fazendo silêncios, gestos e outras coisas, entendi perfeitamente o que ele queria dizer. As vezes, dava uma pausa longa e dizia algum impropério, quase gritando. Aí olhava para a camêra com o mesmo sorrizinho boquiaberto do Jabor. A partir desse ponto ficava claro o que ele queria dizer com um conceito tão obscuro quanto "nó borromeano".
Muito me ajudou vê-lo. Hoje, descobri uma maneira mais que apropriada para lê-lo: Em voz alta.
De qualquer forma, esses trejeitos de fala, dizem muito não só sobre a respeitabilidade do sujeito, mas também a sua compreensibilidade e captação de níveis.
Lacan, por exemplo. Vi ele esses dias, no Youtube, falando de coisas que eu tinha lido no seminário, mas não tinha entendido. A partir do momento, que eu vi ele falando, fazendo silêncios, gestos e outras coisas, entendi perfeitamente o que ele queria dizer. As vezes, dava uma pausa longa e dizia algum impropério, quase gritando. Aí olhava para a camêra com o mesmo sorrizinho boquiaberto do Jabor. A partir desse ponto ficava claro o que ele queria dizer com um conceito tão obscuro quanto "nó borromeano".
Muito me ajudou vê-lo. Hoje, descobri uma maneira mais que apropriada para lê-lo: Em voz alta.
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