domingo, 22 de agosto de 2010
Fim de semana
Quem disse que é para a vida inteira?
Apressa o passo que o prazo engana
apressa o passo que na praia
o tempo passa antes de passar
o tempo da história não é calendário
arranco as paginas do dia errado
dura dois anos dezoito brumario
dura dois anos entre aniversários
seu tempo passa antes de passar
e vem você me diz a calcular
para onde vai
uma tarde que passou?
E me vem
o pulso de uma canção
escapar
da mente pro coração
sei lá
qual dança que decifrará.
essa aí é uma canção. quem quiser escutá-la fala comigo
Medo no Papel
pra quem sente
medo na televisão
não é filme
de terror
do doutor mabuse
olhando da tevê
é a impressão
vívida do olhar da tevê
ganhando não mais que a cor da caneta
que escreve para não ler
o medo no papel
o medo no papel
não é o medo do golpe
é o medo do esquecimento
para transformar aquilo que acontecendo
vai ficando e fica
ali para tomar poeira
para ser guardado na gaveta
o medo no papel
não é o medo do relógio
é o medo do calendário
o momento vira memória
e na hora lá diz que houve
outras horas
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Acho que reencontrei um amigo de infância. Acho. O que vi foi um nome e um rosto familiar, dizendo: “A memória é uma construção social. Você vai lembrar. Eu não existo.” Gaiato. Eu não existo. Já nasci com geladeira, Tv e videogame em casa, de tal modo que tudo o que eu conheço é virtual, até os nomes e rostos que já passaram em minha vida. O colégio onde eu estudei era só uma mimetização de escola católica, que proibia tamagochis. Esse amigo, por exemplo, ele nunca existiu, faz parte de um conjunto de zeros e uns na minha cabeça, um retrato pixelizado que estende a mão e pergunta: “tudo bem?”. Ainda bem que eu filmei aquela época, posso encontrar estes rostos por lá.
Falávamos de astrologia. O signo, segundo ele, é só uma coordenada. É tão impreciso falar sou de “sagitário” quanto dizer latitude 35. Poxa, nem em astrologia existe personalidade então?
Temo pela vida de Belchior, virou caça. Quando eles te encontrarem, não vai ter perdão. Vai ter que gravar um disco, aparecer com o Fagner no Faustão onde vão perguntar cadê seu bigode. Não vá escrever sua divina comédia, não vá embora. Mas se você quiser atirar nele, mate-o logo, as três, porque depois ele tem compromisso e não pode faltar por causa de vocês.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Dostoiévski
Mudando de assunto. Se o cinema morreu e só podemos esperar o melhor dos videogames, como não perder a alma? Joguei um videogame chamado OBLIVION e era para lá que eu me encaminhava. Podem ser 30, 40, 200 horas tomadas por um só jogo. Ser um erudito na área é mais difícil do que ser um de literatura e olha que só temos 10, 20 anos desde de que isto começou. Imagina quando neguinho resolver se meter a falar da incomunicabilidade... Já era. desisto.
O problema é que é uma arte muito mais fina. Não há nada de acabado, não há produto final. são só possibilidades e potências. Cinema e futebol. É uma arte de ninguém. De quem é o jogo, de quem programa? de quem joga? de quem teve a idéia?
O melhor seria começar do início: pong e tetris; Griffith e Eisenstein. Vale ganhar ou jogar? Prefiro Tetris, que não vai dar em OBLIVION nenhum, vai dar em Simcity.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Bezerrão
Vi o Elano. Que golaço.