terça-feira, 23 de dezembro de 2014
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
A felicidade de nossos atos
Felicidade
é uma palavra muito desejada e equívoca. Cada um tem sua ideia, claro, mas é
usada como se todo mundo soubesse do que se esta falando quando fala dela. Ela
não é referenciável da mesma maneira que uma cadeira ou uma casa por
exemplo. A felicidade não tem nada para
segurar. Ela não tem existência física. A única maneira de segurá-la é escrever
em um papel e segurar este papel.
Mas não
tem como negar que a palavra não é qualquer uma. Tem gente que sente falta e sabe muito bem o
que é. Acontece que mesmo sabendo, não
tem como pensar que seja a mesma coisa para um. Se tem alguma coisa que é certo sobre a
felicidade é que ela é particular, no sentido de que cada um tem a sua
concepção. Isso não impede que falemos sobre ela, mas põe a restrição de saber
que é uma visão a mais sobre o assunto.
Gostaria,
agora que algumas ressalvas foram feitas, de propor uma maneira de falar sobre
ela que faz uma leitura de um filósofo da linguagem, O J. L. Austin. Ele usa a
palavra felicidade no sentido de um bom desenlace para um ato. Por exemplo,
quando se diz: “Eu tentei demover o presidente da ideia de manter o fator
previdenciário, mas não fui feliz”.
De
acordo com Austin, não se pode pensar nas coisas que falamos apenas em termos
de verdadeiro e falso, mas em termos de atos felizes ou infelizes. Toda vez que
falamos, nós fazemos uma porção de coisas: pedimos desculpas, ordenamos,
declaramos, prometemos. A coisa é tão espalhada que cada vez que falamos nós
não apenas comunicamos, nós fazemos coisas. Esses tipos de atos, atos de fala,
ou são felizes ou infelizes. Quando alguém promete e não cumpre, ou quando
alguém ordena sem condições para tanto realiza um ato infeliz. O ato de fala feliz precisa de que as
condições destes atos sejam realizadas. Para que se possa prometer é necessário
que se assuma um compromisso, para escolher é necessário que existam
alternativas.
A ideia
de felicidade que proponho diz respeito a como fazer com que nossos atos sejam
felizes, que logremos em realizá-los.
Isso nos colocaria no lugar de ter uma ideia não enganosa de nossas
intenções, nossa ética, para pelo menos fazer algo de bom disso. Não que tenhamos
que cumprir todas as nossas promessas, mas no ato mesmo de realizá-las
estejamos conscientes do que nos move nesse sentido, até para não as
realizarmos em vão, com infelicidade. Existem motivações inconscientes que
podem nos tornar infelizes, até porque a intencionalidade nos era oculta,
tornando o ora o ato infeliz, ora a realização deste ato algo que pode tornar o
falante/atuante infeliz pela não tomada em conta de sua motivação.
É claro
que a felicidade de que falo aqui é de outra ordem daquela de uma vida feliz,
mas existe um espaço mínimo de intersecção entre elas. Por exemplo, se você
esta infeliz porque uma pessoa amada lhe deixou, porque não pensar que o ato de
renunciar pode ser feliz?
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Sobre a corrupção, quem mais vitupera contra ela é quem está mais próximo. é muito canalha um partido corrupto falando mal de outro partido corrupto. Ou pior, uma pessoa que não tem a menor estima pelo bem público sentir-se indignado com a corrupção. É precisamente a noção de bem público o que faz a corrupção e o seu melhor amigo, o patrimonialismo, serem tão aviltantes. Uma escola, um hospital, uma rua, as árvores ou a falta de árvores nessa rua, as festas de rua, a cidade, os ônibus que levam as pessoas nessa cidade, as condições de vida das crianças que nascem nessa cidade, a polícia e o que ela faz com os cidadãos dessa cidade, tudo isso é coisa pública. A melhor maneira de descobrir a hipocrisia ao falar de corrupção é se a pessoa estima o público. Agora, se única questão é sua vida privada, seu mérito, sua família, aí.. aí é de se perguntar se essa pessoa não seria corrupta se oportunidade aparecesse, porquê é projeção. "Defendo a família, tanto que emprego toda ela no meu governo" era o mote do João Plénario.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
universal do reino de de de de
uma palavra muito em voga, na esquerda e na direita. universal. igreja universal, universalismo. tem gente, como o Vladimir Safatle, que fala em universalismo radical. tem gente que fala em pretensões universalistas em Lacan. Qualé, né gente? uma das coisas que mostram a reticencia com que devemos assumir essas coisas é a própria igreja universal, a católica, com suas pretensões em trazer uma regulação universal. sabe quem mais é universalista? o pastor Marcos Feliciano.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Decante Kant
Cuidado, arautos da ética, vocês não existem. a ética não tem arautos.
Pelo menos não para Kant, o cara dos imperativos categóricos.* A diferença crucial entre ética e direito é que os deveres jurídicos podem ser impostos à força. Os deveres éticos tem a ver com os fins que uma pessoa coloca para si. Se você tem um dever ético, ele é um dever para você mesmo. ninguém pode te obrigar.
mesmo que seja um dever ético de alguém, digamos, ajudar os outros. se ele faz isso porque alguém o obrigou, não se trata de ética. pode ser força, ou outra coisa que o valha, tipo direito, mas não é ética. É questão de auto-governo, para os fins que tem nessa vida. uma pessoa obrigada a ajudar os outros não está sendo ética, está sendo coagida, ora-bolas.
*que nem são tão categóricos assim. muita gente pensa que Kant é o cara da lei, a ser seguida a ferro e a fogo, quase superegóico. acontece que a palavra categórico, no português de hoje, denota uma ordem, mas não é disso que Kant falava. é algo ao qual você não tem alternativa, você não pode falar sim ou não, você simplesmente o faz, porque está de acordo com seus princípios. isso não quer dizer, por exemplo, que não existam ocasiões particulares onde as máximas não nos vinculem como categóricas.
Sonhos e Saberes
1. ideia de sonho, pois bem, em Freud: realização
de desejo; pulsão que liga aos representantes possíveis, de maneira quase
amebesca, que ambíguam e codificam. É a loucura que a gente costuma viver. No sonho, em um momento você está em casa,
mas agora, ao abrir a porta que dá pra rua existe um rio. Ao redor do rio, os
velociraptors e uma figura que é seu avô, depois não é seu avô, depois é o
Lênin. Enfim, qualquer coisa, desde que represente outra coisa que aquilo que o
inconsciente queria representar, e de alguma forma ainda ligado a isso, um
código, né?
Posso até tentar fazer
narrativa, mas ela ainda não é exatamente o que é. Por incrivel que
pareça, o sonho é um fenômeno inconsciente até mesmo no sentido descritivo, quer dizer, mesmo que você ache que o controla, na real, não.
Tanto que a gente só lembra dos sonhos em uma ocasião, que é quando a gente os
tem logo antes de acordar. Podemos sonhar várias vezes durante a noite, mas
somente lembramos dele quando nossa consciência vigil o pega em flagrante
fazendo seja lá o que ele faz.
2.que bela satisfação é saber das coisas. É tanto assim, que
temos disciplinas voltadas à construção de um saber que é só pela vontade de
saber. Quando não temos isso, temos algo melhor, Deus por exemplo, ou um mito. Mas saber é o melhor, questão de domínio que não é tão distante , é lógico, do
prazer de dominar. você pode dominar um assunto como a humanidade dominou o
fogo, o que não impede que Brasília seja tomada de quando em quando pela névoa
seca, que é a fumaça que rola por aí das queimadas, com um bando de poeira.
Tinha uma época aí que se valorizava muito este tipo de
satisfação que era um insight. Você via as coisas e uma iluminação, isso fazia
sentido. Você pode chorar ou rir, mas mudar mesmo, bem... aí é que pode ficar
mesmo difícil de largar, porque pelo menos agora tem explicação. É uma coisa de
certa função do saber que nos deixa ignorantes para tudo que é não saber.
Dizendo com todas as letras: uma psicoterapia muito explicativa pode aprofundar
mais no sofrimento.
3. O sonho é uma organização do saber. A neurociência aponta
para sua importância na aprendizagem. se você quer aprender, durma bem. Muita
coisa é fixada no cerébro por este processo que chamamos de sonho. Um dia ruim,
por causa do sono, pode virar o dia seguinte. Um dia ruim, por causa do sonho,
pode ser bem aprendido como uma aula de física.
O sonho codifica. se o deciframos, como em uma psicanálise,
coisa curiosa, é um saber que faz revelar este saber inconsciente, é saber
saber, e o dia ruim volta em seu frescor, digamos, esquecido. A gente sabe das
coisas que a gente esquece?
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
pepper spraying cop
qual a melhor vingança contra um cara que faz isso? virar um memê
http://peppersprayingcop.tumblr.com/
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